terça-feira, 21 de abril de 2009

Por que Tiradentes?



Tiradentes? Por que? Muitas pessoas devem fazer essa pregunta quando o 21 de abril se aproxima, ou pior, nem se dão conta do que se trata o feriado (a exceção fica por conta de nossos alunos que mesmo sem saber que é o “Tio Tiradentes” tem de desenhá-lo todo ano). Hoje não seria um bom dia para descobrirmos quem foi Tiradentes, afinal hoje é um feriado, na espanhol festivo, ou seja, um dia que devemos festejar e não estudar história. Mas cabe aqui uma pequena reflexão: por que esse senhor que hoje dá seu nome a ruas, praças e estampa seu rosto (que não era tão seu) nas moedas de 5 centavos ganhou um feriado?
A figura de Tiradentes é retomada com a proclamação da República, após um longo período de esquecimento durante o período imperial. O que quero transmitir é que essas noções são construídas, não carregam em si uma natureza própria, ou seja, Por que Tiradentes? Porque assim quis a República. O feriado poderia ser o dia 19 (dia do índio) ou 22 (dia do descobrimento), porém nenhuma dessas datas tem uma relação com a memória coletiva. E o Tiradentes tem? Creio que não. Qual a contribuição de Tiradentes para o desenvolvimento de nossa democracia?
Talvez seja a hora de pensarmos em novos homenageados, os nomes que a democracia manda guardar! Nomes como Vladimir Herzog, Chico Mendes ou as vítimas da ditadura. Com certeza qualquer um desses festivos renderiam nas salas de aula (e fora delas) mais do que retratos de um mártir que não nos faz mais chorar.
É possível aprender sobre história até nos festivos!

2 comentários:

  1. Corroboro, contudo, com a frase de Bertold Brecht..."miserável o país que precisa de heróis"! Fabíula Sevilha

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  2. De fato, não precisamos de heróis, de mitos, de salvadores da pátria. Devemos superar nosso estigma personalista. Porém, devemos sempre lembrar de homens e mulheres que inspiram a mudança, homens e mulheres descontentes com a mesmice e que não se acovardam frente aos seus desafios, esses sim devem ser lembrados, não para serem simplesmente admirados num panteão de deuses intocáveis de épocas remotas, mas como exemplos vivos de que a mudança é possivel.

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