quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Lévi-Strauss

Morreu aos 100 anos o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Lévi-Strauss foi responsável pela consolidação da Antropologia Estrutural nas Ciências Sociais. O principal objetivo de Lévi-Strauss era a reconstrução das Ciências Sociais, com base em uma cientificidade maior, para tal utilizou-se de um arcabouço teórico da lingüística, disciplina que para o autor era a mais científica de todas das ciências humanas. Lévi-Strauss defendia que as estruturas são encontradas nas suas regularidades.
Sua relação com a História sempre foi muito complicada. Apesar da pretensão de uma maior cientificidade as Ciências Sociais, Lévi-Strauss não via na história nada de científico. Muito pelo contrário, para ele a história não é formalizada, é formada por acontecimentos aleatórios e por isso é caótica. Porém, o que Lévi-Strauss esqueceu é que as estruturas também são objetos da História e por isso a História seria importante na compreensão da realidade social e teria sua contribuição às outras Ciências Sociais.


Lévi-Strauss foi um dos professores da missão francesa que permaneceu no Brasil durante os primeiros anos da Universidade de São Paulo. Ao longo de suas pesquisas no Brasil Lévi-Strauss descobriu nesse “novo mundo” um lugar deslumbrante para se conhecer e se pesquisar. Escreveu Tristes Trópicos um livro sobre suas memórias em relação a sua passagem pelo Brasi

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Falando um pouco da mídia…

A cada dia que passa tenho uma sensação maior de mal estar com nossa mídia. Ou melhor, com nossa grande mídia, aquelas 11 famílias que tem o monopólio midiático no Brasil e a todo tempo falam em liberdade de expressão.

Gostaria de comentar aqui duas situações no mínimo curiosas. Estava eu navegando no site G1 da família Marinho, quando vejo a seguinte notícia: Serra dará aumento de 25% para bons professores” e a foto do governador estampada no site. Detalhe, era aniversário do Presidente Lula. O mesmo que os jornais da Globo às vezes esquecem de chamar de presidente. Nem uma menção ao aniversário do Presidente. Nada.

O outro caso foi com a Folha de S. Paulo o jornal da família Frias. A Capa do dia 28/10 trazia a seguinte foto e a legenda: Golfe ou Pólo aquático, fazendo referência a um campo de golfe que alagou na Grande São Paulo. O Detalhe é que na mesma região, cerca de 50 casas foram alagadas, pelo mesmo motivo, o transbordamento da represa. Por que será que foi mais interessante mostrar o campo de golfe do que os moradores e suas casas simples devastadas pelas águas da represa?

Peço a todos que prestem muita atenção aos sinais. A I Conferência Nacional de Comunicação está chegando, um marco em nossa democracia. E alguém viu isso na nossa grande mídia, que se diz livre? A cada dia que passa falam mais em liberdade de expressão, tentando deslegitimar um futuro controle social da mídia. “Nossa” grande mídia é tão poderosa que mais uma vez querem alterar o regulamento do campeonato brasileiro, mas isso será assunto de um outro post.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Serra e os professores

A mais nova estratégia de José Serra para limpar a imagem da educação no Estado de São Paulo foi uma mudança na carreira do magistério. Publicitariamente a mudança é excelente “o bom professor pode ganhar R$ 7.000 ao final da carreira”. Mas quando vamos além das manchetes percebemos a tática do nosso governador espertalhão.

A promoção do professor dependerá de uma permanência mínima na mesma escola, algo praticamente impossível na atual situação, da assiduidade do professor, que é cada vez mais rara com os problemas de saúde gerados pelo trabalho, e por fim da prova que poderá ser realizada a cada três anos. Não obstante, todas essas barreiras, ainda há o limite de 20% dos professores. Ou seja, somente 20% dos que prestarem vão ter seu aumento.

Há muito venho pedindo aqui neste blog a valorização do professor. Considero o curso preparatório para professores iniciantes uma medida acertada, mas que a longo prazo se perde na dura rotina dos professores. Não adianta o sindicato dizer que “o conhecimento não é garantia de uma boa aula”, pois o contrário é mais impossível ainda. Um professor com formação deficitária e sem domínio dos conteúdos terá sim o seu trabalho comprometido.

Defendo uma política de valorização da formação continuada. Somente cumprindo a Lei do Piso que garante 1/3 do horário do professor para atividades extra-classe (incluindo capacitação) o Estado de São Paulo começará a melhorar sua educação. Com tantos professores saindo de faculdades com qualidade duvidosa, o que esperar de sua atuação dentro de sala de aula. O Estado precisa estar ao lado do professor, oferecendo um salário digno e atualizações cotidianas. E não utilizar nossa categoria para propaganda política.